13.8.08

Machado para adultos!

Está aberta a temporada de caça. Me refiro às eleições para Academia Brasileira de Letras. Desta vez, após a morte de Zélia Gattai, a candidatura é recorde, 22 candidatos, e para nada mais, nada menos, a cadeira mais nobre da casa, a de Machado de Assis, também fundador da Academia.

Diferenciando das atuais leis eleitorais, em que não é mais possível distribuir ‘presentinhos’, o processo eleitoral na Academia é sustentado por jantares e reuniões regadas, onde os candidatos fazem a campanha, adoçando a boca dos eleitores. Uns apontam até serem injustiçados por morarem longe do circuito intelectual, ficando à parte da ‘boca livre’, mas não deixam de se candidatar.

E para isso, não é tão complicado. Ser brasileiro e ter, ao menos, um livro publicado. Assim, o derrière intelectual poderá sentir o "quentinho" que Machado deixou por ali. Mas isso não justifica tamanha gama de candidatos. Interessante é constatar a não inibição para se lançar ao posto. Contrariando a minha intuição e aposta na candidatura do "intelectual"-piadista, Soares, a cadeira VIP conta com poucos nomes conhecidos (com exceção de Ziraldo).

Dentre os candidatos, um, de apenas 38 anos, outro, com apenas 1 livro publicado e garantindo ter “50 na gaveta”. Mas considerando quantidade, não é possível deixar de notar o candidato com mais publicações, são 400. E não pára ai, ele assina como Catherine Renoir, Christiane Flaubert ou mesmo William Parkinson, porém isso contraria o que está registrado na sua identidade, Felisbelo da Silva. Estranho imaginar, no período Contemporâneo, quem não se estapeasse por uma assinatura, uma autoria, segundo ele,“ é para vender”, “nomes japoneses” não atraem no mercado onde ‘seus livros habitam’. Autor de ‘literatura adulta’, vem inovar porém, não contraria regras. Garante que, o fato de estarem proibidos para os menores de 18 anos, não o proíbe de se candidatar. Além disso, Graciliano Ramos publicou apenas 6 livros, ora bolas!

fonte: Revista Piauí, agosto de 2008

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